Lição 3: JESUS, O DISCÍPULO E A LEI
LIÇÕES BÍBLICAS CPAD ADULTOS 2º Trimestre de 2022
Título: Os valores do Reino de Deus — A
relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo – Comentarista: Osiel
Gomes
Lição 3: Jesus, o discípulo e a Lei
TEXTO ÁUREO
“Porque vos digo que, se a vossa
justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no
Reino dos céus.” (Mt 5.20).
VERDADE PRÁTICA
Os seguidores de Jesus são chamados a
viver a justiça do Reino de Deus. Essa justiça, baseada na Nova Aliança em
Cristo, nasce no interior do crente e reflete no exterior da vida.
PALAVRA-CHAVE:
JUSTIÇA
LEITURA DIÁRIA
Mt 5.17 – Jesus não veio revogar a Lei nem
contradizer os profetas
Rm 3.31 – Jesus não veio revogar a Lei nem
contradizer os profetas
Hb
1.1-3 – O Senhor Jesus
Cristo cumpriu fielmente a Lei
Gl
3.24 – A função da Lei é
levar o homem a Cristo
1
Tm 1.5 – O fim do
mandamento: coração puro, boa consciência e fé sincera
Rm
7.12 - A Lei é santa e
está estabelecida em Cristo Jesus, o nosso Senhor
Rm
3.31 – A Lei é santa e está estabelecida em Cristo
Jesus, o nosso Senhor
Rm
13.8-10 – A Lei está cumprida
no amor e dinamizada em nós pelo Espírito Santo
Gl 5.6,25 – A Lei está cumprida no amor e
dinamizada em nós pelo Espírito Santo
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Mateus 5.17-20.
17 — Não
cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir.
18 — Porque
em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til
se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido.
19 — Qualquer,
pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será
chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será
chamado grande no Reino dos céus.
20 — Porque
vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo
nenhum entrareis no Reino dos céus.
HINOS SUGERIDOS
13, 23 e 25 da Harpa Cristã.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Nesta
lição estudaremos a respeito da relação de Jesus com a Lei e o que Ele deseja
de seus discípulos.
Veremos
que o Senhor Jesus cumpriu toda a Lei, destacaremos a diferença entre a Letra
da Lei e o Espírito e, finalmente, analisaremos a justiça do Reino de Deus.
No
Sermão do Monte, podemos perceber, com clareza, que o nosso Senhor não destruiu
a Lei nem o ensino dos profetas, mas os cumpriu e os aperfeiçoou.
Assim,
como seus seguidores, a nossa justiça deve transcender a dos escribas e
fariseus
(Mt
5.20).
INTRODUÇÃO: Qual é a relação entre Jesus e a Lei? E o que Ele
deseja que seus discípulos aprendam acerca dessa relação. Basicamente, esta
lição tem como propósito mostrar que a relação de Jesus com a Lei apenas nos
mostra que a nossa justiça é elevada. Logo, o objetivo de estudar essa relação
de Jesus com Lei é o de trazer aos cristãos um compromisso profundo com a
justiça de Deus.
Motivação: O que é justiça? Na perspectiva bíblica, a
palavra justiça tem a ver com retidão, integridade, honestidade. O Sermão do
Monte nos convida a cultivar a retidão, a integridade e a honestidade para
viver a justiça do reino divino.
Sugestão de Método: Ao iniciar o terceiro tópico, pergunte aos
alunos o que eles entendem por justiça. Dê um tempo para que eles exponham o
que pensam. Ouça-os com atenção. Em seguida, exponha o tópico conceituando a
palavra justiça, destacando seu aspecto reto, íntegro e honesto.
I. JESUS
CUMPRIU TODA A LEI
I) Mostrar
que Jesus cumpriu toda a Lei.
SINOPSE I
Jesus
apresentou um compromisso com o passado, pois Ele não veio destruir a Lei, mas
aperfeiçoá-la.
1. Um
compromisso com o passado.
Quando nosso
Senhor começou a ensinar, seu propósito nunca foi o de desconstruir tudo ou não
valorizar o passado relativo aos ensinos da Lei e dos Profetas.
A expressão
“não pensem” revela exatamente isso
(Mt 5.17
— NAA).
Ora, Jesus
sabia que o ensino da antiga dispensação era valioso, verdadeiro, bom e belo.
Ele jamais
ousara ser um revolucionário, portador de um espírito destrutivo, como o
apóstolo Paulo também não
(cf. Rm
3.31).
Assim,
aprendemos, com Jesus, que não é possível construir um futuro bom se não
preservarmos as coisas boas que os antigos nos legaram.
2. Jesus não
veio destruir a Lei.
Para muitos
opositores, Jesus era um agitador, revolucionário, destruidor da tradição
recebida
(Jo 5.18:).
Por isso,
nosso Senhor foi alvo de falsas acusações pelos seus críticos
(Mt 26.59-61:).
Entretanto,
os Evangelhos deixam claro que Jesus ensinou sobre a justiça conforme o que
Moisés, a Lei e os profetas ensinaram.
(Segundo a
lição, Jesus tinha o propósito de destruir a Lei?
Quando nosso
Senhor começou a ensinar, seu propósito nunca foi o de desconstruir tudo ou não
valorizar o passado relativo aos ensinos da Lei e dos Profetas.)
No lugar de
enfraquecer a Lei, Ele devolvia o verdadeiro sentido dela, já abandonado pelos
mestres judeus
(Mt 8.4:
Mc 7.10:
Lc 16.31:
Jo 5.46).
Jesus
enfatizou o sentido perfeito da Lei
(Mc 7.5-13:).
Ele mesmo, a
continuação da revelação divina, mostrava que essa revelação é progressiva para
a perfeição, não retrógada (Retrógada: que anda para trás, não avança.) nem estática. (Estático: sem movimento;
parado, imóvel.).
Nesse
sentido, a fé e o ensino da Palavra de Deus devem nos levar ao verdadeiro
crescimento espiritual, como bem ensinou o salmista
(Sl 1.2,3:
Sl 119. 1, 97:).
3. Jesus
cumpriu e aperfeiçoou a Lei.
O verbo
“cumprir”
(Mt 5.17: ),
do
grego plêroô, traz a ideia de tornar cheio, completar, encher até o
máximo, fazer abundar, fornecer ou suprir liberalmente.
Assim, a
perspectiva pela qual Jesus cumpriu a Lei é que Ele lhe deu perfeição, conforme
nos revela essa expressão:
“[…] foi dito
aos antigos: […] Eu, porém, vos digo”
(Mt 5.21,22:).
Ora, em
momento algum Jesus conflitou com as Escrituras do Antigo Testamento, mas as
harmonizou plenamente.
Por isso,
diferentemente dos escribas e fariseus, que usavam da Lei para abusar do povo
(Mt 23.4:
Lc 11.46:),
o Senhor
Jesus a aperfeiçoou
(Mt 5.19:).
O que era
visto como sombra cedeu espaço para a realidade do pleno cumprimento profético
(Lc 4.16-21:).
Em Jesus, o
que era visto por meio do Decálogo e dos profetas, concretizou-se fielmente em
nosso Senhor, conforme nos revela o escritor aos Hebreus
(Hb 1.1-3:).
II. A LETRA
DA LEI, A VERDADE DO ESPÍRITO
II) Comparar
a Letra da Lei com a Verdade do Espírito.
SINOPSE II
Letra da Lei
diz respeito ao Antigo Concerto; a verdade do Espírito diz respeito a vida em
Cristo que grava a vontade de Deus no coração.
1. O que a
expressão “letra da Lei” significa?
De acordo
com as cartas de Paulo, a expressão “letra da Lei” diz respeito ao Antigo Concerto.
Essa letra
expressa os desígnios de Deus em forma de proibições escritas que revelam o
pecado e levam à condenação, como nos mostra
Romanos
7.7-25.
(De acordo
com a lição, o que a letra da Lei expressa?
Essa letra
expressa os desígnios de Deus em forma de proibições escritas que revela o
pecado e leva à condenação, como nos mostra Romanos 7.7-25.)
Em suma,
dominado pela fraqueza da carne e sem força, o homem seria levado à morte
diante da letra da Lei.
A função da
Lei é mostrar a malignidade do pecado e a impossibilidade do homem em
salvar-se.
Nesse
sentido, ela serviu como paidagôgos (do grego), isto é, um
pedagogo, um guia, que nos levou a Cristo
(Gl 3.24:).
Um exemplo
que revela essa função é a relevância dos profetas do Antigo Testamento para
despertar o povo ao verdadeiro arrependimento diante de Deus.
Entretanto,
o judaísmo transformou a “letra da Lei” em um sistema de normas frias e sem
vida.
2. A
perspectiva teológica da Lei.
Para os
judeus, a Lei apresentava sua completude por meio de uma tríplice divisão:
moral,
cerimonial e judicial.
A Lei Moral
envolve os Dez Mandamentos
(Êx 20.1-17:);
a cerimonial
refere-se à adoração do povo de Deus no Tabernáculo e, posteriormente, no
Templo
(Êx 25.1 —
31.17:);
a judicial
tem a ver com diversas responsabilidades civis
(individuais
e sociais)
(Êx 21.1 —
23.19:).
Pelo sistema
da antiga Lei, havia um falso entendimento de que o homem poderia viver de
maneira justa segundo o seu próprio mérito e que, por isso, seria possível
salvar-se.
Ora, o
apóstolo Paulo refutou sabiamente esse falso entendimento
(Gl 2.16:
Tt 3.5:).
Em suas
cartas, o apóstolo deixou bem claro que o Senhor Jesus cumpriu toda a Lei e
que, por isso, pôs fim ao Sistema de Lei Mosaico, de modo que Ele oferece um
novo e vivo caminho para se chegar a Deus
(Jo 14.6:
Hb 10.19,20:),
uma nova
aliança que concede justificação e paz ao salvo
(Rm 5.1).
3. A Lei e a
verdade do Espírito.
Nosso Senhor
cumpriu todo o Antigo Testamento, obedecendo perfeitamente à Lei, cumprindo os
tipos, sombras, símbolos e profecias.
(Como o
Senhor Jesus cumpriu todo o Antigo Testamento?
Nosso Senhor
cumpriu todo o Antigo Testamento, obedecendo perfeitamente a Lei, cumprindo os
tipos, sombras, símbolos e profecias.)
A causa
dessa realidade perfeita é a morte substitutiva de Jesus e, por isso, hoje, os
cristãos são declarados justos pelo mérito da obra de Cristo
(Rm 3.21-26;
Rm 10.4).
Em
conformidade com esse evento salvífico, o apóstolo Paulo diz que a letra mata,
mas o Espírito vivifica
(2 Co 3.6:).
Isso mostra
que o Novo Concerto revelou-se na pessoa de Jesus, que gera vida, e não mais na
letra pesada da Lei, que gera morte
(Rm 6.23:).
Ou seja, de
um código exterior de normas para um código interior e dinamizado na vida pelo
Espírito; de palavras registradas em tábuas de pedra para palavras cravadas no
coração.
O Espírito
Santo traz vida em Cristo e grava a vontade de Deus em nossa consciência e
coração
(Rm 8.2:
1 Co 15.45:
1 Tm 1.5:).
4. Qual é o
propósito da Lei para os discípulos de Cristo?
Vimos que
Jesus cumpriu toda a Lei.
Nesse
sentido, cabe perguntar: há propósito da Lei para os cristãos?
O apóstolo
Paulo responde a essa questão mostrando que a Lei é santa
(Rm 7.12:),
está
estabelecida
(Rm 3.31:),
se cumpre no
amor
(Rm 13.8-10:
Gl 5.14:)
e opera
atualmente por meio do Espírito Santo, que dinamiza a vida interior do cristão
(Rm 8.2,9:
Gl 5.6,25:).
Portanto, é
Jesus Cristo quem impacta, aperfeiçoa e, por meio do Santo Espírito, implanta
no interior do crente o verdadeiro sentido da Lei
(Gl 4.3-7:).
III. A
JUSTIÇA DO REINO DE DEUS
III)
Conceituar a Justiça do Reino de Deus.
SINOPSE III
O Sermão do
Monte esclarece que as bem-aventuranças são a verdadeira felicidade para quem
nasceu de novo.
1. Quem é
grande no Reino de Deus?
Mateus 5. 18,19
mostra que são considerados
“grande no
Reino de Deus”
os que se
acham fiéis e cumpridores de toda a lei de Cristo.
Consequentemente,
são rebaixados à condição de menores os que negligenciam, removem, separam,
violam o menor dos mandamentos de Deus e não atentam para a sua instrução, quer
por omissão, quer por transgressão.
Assim, como
discípulos de Cristo e cidadãos do Reino de Deus, devemos cumprir e ensinar a
lei divina a partir do poder do Espírito Santo que transforma, aperfeiçoa e
concede-nos graça e verdade
(Jo
1.16,17).
2. A justiça
do Reino de Deus.
A
compreensão da justiça do Antigo Testamento, baseada no binômio
(Binômio: que tem dois nomes ou dois termos.) lei-obra, gerou orgulho pessoal e confiança nas
próprias ações dos judeus para justificarem a si mesmos.
No Novo
Testamento, há exemplos a esse respeito:
O jovem rico
que agiu assim para atingir o supremo bem
(Mt 19.16-26:);
o fariseu
que, por meio de sua justiça própria, achava-se melhor que o publicano
(Lc 18.9-17:);
o sacerdote
e o levita que, firmados numa justiça própria, não atentaram para a aflição do
próximo
(Lc 10.25-37:).
Mas Jesus
ensina aos seus discípulos que a nova justiça no Reino de Deus é interior,
moral e espiritual e não se trata mais daquela velha justiça exterior,
cerimonial e legalista.
(Qual é a
tríplice divisão da Lei?
Para os
judeus, a Lei apresentava sua completude por meio de uma tríplice divisão:
moral, cerimonial, judicial.)
Por isso, a
justiça exigida pelo Senhor Jesus aos seus discípulos é superior a dos escribas
e fariseus.
É uma
justiça mais sublime, elevada e interior.
Essa justiça
só pode ser obtida mediante a fé, nos permitindo viver de maneira justa e
piedosa
(Rm 3.21,22:
Rm 8.2-5:)
e, assim,
entrar no Reino de Deus.
CONCLUSÃO
Jesus não
veio para desfazer a Lei, nem viveu como um legalista.
Porém, soube
conservar o que havia de bom na antiga Lei, dando-lhe uma nova dinâmica de
vida.
Nosso Senhor
deseja que nossas vidas sejam elevadas espiritualmente, semelhantes ao caráter
e conduta dEle, deixando de lado toda frieza espiritual e, aquecidos pelo
Espírito Santo, abraçando o verdadeiro Evangelho do Senhor Jesus Cristo.
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