A Supremacia das Escrituras
A SUPREMACIA DAS ESCRITURAS
Deus existe e ele
se revelou. Revelou-se de forma multiforme: por meio da criação, através da
consciência, nas Sagradas Escrituras e sobretudo, por meio de Jesus. Por isso,
podemos conhecê-lo. Tudo quanto Deus quis que o homem soubesse a seu respeito
está patente nas Escrituras. Devemos examiná-las, porque elas testificam acerca
de Deus. Uma pergunta, porém, precisa ser feita: as Escrituras são confiáveis?
Podemos ter garantia de que seu conteúdo é inerrante e infalível? As Escrituras
são suficientes para termos uma fé madura e uma vida abundante? Para responder
a essas perguntas, vamos considerar três verdades:
Em primeiro lugar, as
Escrituras são inerrantes quanto ao seu conteúdo. As Escrituras não contêm erros. A Palavra de Deus não pode
falhar. Seu conteúdo foi revelado por Deus. Seus autores foram inspirados por
Deus. Seu registro foi assistido pelo Espírito Santo de Deus. Portanto, há
acuracidade nas descrições, precisão nos relatos e inerrância nos ensinos. A
Palavra de Deus não é fruto da lucubração humana nem mesmo resultado de
elucidação vacilante da mente humana. A origem da Bíblia está no céu. Seu
verdadeiro autor, o Espírito Santo, foi quem inspirou homens santos para
registrar tudo quanto aprouve a Deus nos legar. A Bíblia foi escrita num período
de mil e cem anos. Cerca de quarenta homens usados por Deus, de culturas
diferentes, escreveram em tempos diferentes, para públicos diferentes e não há
sequer uma contradição. Isso, porque o próprio Deus é o seu autor. Porque Deus
é verdadeiro em seu ser, sua Palavra não pode falhar.
Em segundo lugar, as Escrituras
são infalíveis em suas profecias. As profecias
bíblicas são específicas, exatas, e muito bem definidas. Milhares de profecias
já se cumpriram e tantas outras estão se cumprindo literal e fielmente. Nenhum
livro religioso da história se compara à Bíblia neste particular. Se
colocássemos o cumprimento das profecias no campo da coincidência, isso daria
um número semelhante a dez elevado à décima sétima potência. A probabilidade de
você cobrir todo o Estado do Espírito Santo com moedas, com uma camada de um
metro, e marcar uma dessas moedas, esperando que um homem cego a encontre, é a
mesma das profecias bíblicas terem se cumprido por uma mera consciência. Muitos
críticos, arrotando uma sapiência arrogante, tentaram desacreditar a Bíblia,
mas seus argumentos insolentes caíram no pó do esquecimento e a Bíblia,
sobranceira e vitoriosamente, triunfa vitoriosa. A Bíblia é a bigorna de Deus
que quebra todos os martelos dos críticos.
Em terceiro lugar, as Escrituras
são suficientes quanto à doutrina e vida. Não precisamos de outras revelações extra bíblicas para
conhecermos tudo quanto Deus quer que saibamos para termos uma vida plena.
Aliás, Deus lança uma maldição sobre aqueles que subtraem das Escrituras o que
nelas estão e sobre aqueles que acrescentam a elas o que nelas não estão. A
Bíblia tem uma capa ulterior. A revelação de Deus está completa e o cânon está
fechado. Não existem novas revelações. Não existem mensagens novas, vindas
direto de Deus, à sua igreja. As igrejas apostólicas hoje não são aquelas que
nomeiam novos supostos apóstolos, trazendo novas doutrinas forâneas às
Escrituras, mas aquelas que seguem a doutrina dos apóstolos. Toda doutrina que
não emana das Escrituras é falsa doutrina. Toda ética que não está calçada pela
verdade das Escrituras produz um comportamento reprovável. Não precisamos
correr atrás das últimas novidades do mercado da fé, em busca de conhecimento e
experiência que nos levem à uma vida mais profunda com Deus. Ao contrário,
devemos examinar as Escrituras, pois na Palavra de Deus temos um reservatório
inesgotável e uma fonte inexaurível de todo acervo que devemos crer e praticar.
A Bíblia é, de fato, nossa única regra de fé e prática: inerrante, infalível e
suficiente!
Pensando a vocação do plantador de igrejas
Ter uma boa orientação sobre o que fazer na
vida e como proceder em diversos momentos é fundamental. No entanto, quando a
necessidade de se conhecer a maneira de fazer as coisas é substituída pelo
pragmatismo, então perdemos o âmago, o que é central na vida. Ao pensar a
vocação de uma pessoa chamada por Deus para ser um plantador de igrejas,
devemos voltar aos princípios mais elementares da vida vocacional. O Pastor
David Hansen diz:
“Quando comecei meu ministério pastoral,
tinha muitos livros de receitas específicas – os chamados livros de como fazer.
Tinha livros sobre como pregar, como administrar uma igreja, como fazer aconselhamento pastoral
e como liderar pequenos grupos. Não me ajudaram. Os autores presumiam muita
coisa. Presumiam que eu já sabia qual era o meu alvo. Que eu já sabia porque eu
deveria fazer as coisas sobre as quais me ensinavam. Mas eu não sabia o que eu
era, ou quem eu era, ou porque eu deveria fazer as coisas que era o meu dever
fazer. E eu não sabia como qualquer destas coisas que se esperava que eu
fizesse, se juntava uma à outra, uma compreensão coerente de meu chamado de
Deus para ser pastor. Então eu parei de ler livros de como fazer. Em vez disso,
li teologia, estudos bíblicos e história da igreja. Alternava entre essas
disciplinas. Esses livros das disciplinas clássicas de teologia não me
ensinaram como realizar um ministério pastoral, mas me auxiliaram imensamente
em minhas obrigações regulares”.
Desta forma, ao tratarmos sobre vocação,
percebe-se que precisamos compreender nossos pensamentos sobre o conceito
primário de vocação. Quem não sabe para o que foi chamado e tem dúvidas sobre
quem ele é nesta missão, não poderá conduzir apropriadamente a sua vida
ministerial, e muito menos liderar outros. Vocação vem do latim voco, “eu chamo”. A palavra é usada para descrever
o chamado de Deus ao seu povo, tanto individual quanto coletivamente. No
Antigo Testamento, a expressão “chamar pelo nome” significa muitas vezes uma
eleição, uma vocação para uma determinada função (Ex 31.2; Is 43.1; 45.3). Mas
a vocação também é tratada no Novo Testamento como uma missão dos cristãos que
devem seguir a Cristo como uma vocação santa (2Tm 2.19, Rm 1.7, 1Co 1.2). O
conceito de vocação no Novo Testamento aparece também em sentido mais restrito
e técnico para se referir ao chamado de Deus para a obra do ministério cristão.
O plantador precisa entender que o
ministério pastoral é uma vida, não um empreendimento qualquer, como se fosse
um estudo despretensioso de aplicação das melhores técnicas em áreas
específicas da vida espiritual das pessoas. O plantador é chamado para viver
uma vida vocacional, de serviço a Cristo. Como plantador, ele busca ver nascer
uma igreja para a glória de Deus. O Dr. John Stott escreve: “Que a igreja deve
ser um agente do evangelho isto é algo que surge de sua vida interna. A igreja
que recebe a Palavra também deve anunciá-la (1Ts 1.5-8). A igreja que encarna a
mensagem visivelmente também deve declará-la verbalmente.”
Darrin Patrick afirma que um plantador deve
observar o seu chamado sob três aspectos específicos. Primeiro, a confirmação
do coração, quando ele deseja servir a Deus, como afirma Paulo em 1 Timóteo
3.1, e também o profundo envolvimento emocional com o desafio do campo, como
percebemos em Neemias 1. A segunda confirmação é a da mente, quando o plantador
não entra no campo apenas pela “emoção”, mas com uma elaboração clara e
consciente da sua área de atuação no campo e com uma percepção específica de
seu chamado. E finalmente, a terceira área é a confirmação por suas
habilidades. Neste sentido, o plantador precisa demonstrar no campo sua
capacidade de mobilizar, liderar e inspirar pessoas a seguir a visão
missionária da Igreja.
O plantador, como vocacionado, deve
entender que sua missão primeira é pregar o evangelho de Jesus Cristo.
Esta pregação deve
ser percebida com a mesma seriedade que Paulo. Ele sabia que havia sido chamado
para levar o Evangelho aos povos e essa era sua preocupação básica ao pensar em
plantação de uma nova igreja. Ele afirma em Romanos: “Como, porém, invocarão
aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como
ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como
está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” (Rm
10.14-15).
Francis Schaeffer afirma que Paulo olhava
para a pregação do
evangelho como um devedor diante de Deus:
Paulo considera a si mesmo um devedor,
tanto para os de boa formação quanto para os pouco preparados, para os sábios e
para os ignorantes. Este modo de pensar contrasta com a postura da grande
maioria dos cristãos. A maioria dos cristãos acha que está fazendo algo
especial quando fala do evangelho aos outros. Já Paulo tinha consciência de que
este tipo de testemunho não representa grande coisa, pois ele é devedor (Rm
1.14) ou um “servo” (Rm 1.1) do evangelho. Nós como Paulo, também devemos nos
sentir no dever de pregar o evangelho a cada um. É um dever do qual jamais
poderemos nos esquivar. Não existe qualquer neutralidade ou conveniência nele,
pois temos o dever de pregar o evangelho.
O plantador precisa olhar para seu chamado
e vida pastoral dinâmica como um desafio à proclamação do Evangelho. Mark Dever
ao escrever sobre as marcas de uma igreja saudável, estabelece de maneira clara
que a prioridade deve ser a pregação. Dever
afirma: “A primeira marca de uma igreja saudável é a pregação expositiva.
Não é somente a primeira marca; é a mais importante de todas as marcas, porque,
se você desenvolvê-la corretamente, todas as outras a seguirão”.
Assim como o Pr. David Hansen, muitos estão
no campo missionário, com o desafio de plantar uma igreja, mas reconhecem suas
limitações e buscam uma fórmula, uma maneira de fazer com que as coisas
aconteçam. Na verdade, o plantador precisa entender que o Deus que chama é o
mesmo que capacita. É preciso ter paz no coração e trabalhar com o que é mais
essencial: a pregação do evangelho. O plantador é pela natureza
do chamado um pregador do evangelho de Jesus Cristo.
Quando o plantador de uma igreja reconhece
sua vocação e entende seu chamado principal, que é o de pregar o evangelho para
glória de Deus, então, a partir desse ponto, ele deverá se preocupar com “como”
realizar melhor o seu ministério. Este “como” é resultado do “porquê”. O
plantador que tem uma visão saudável de seu ministério é aquele que sabe por
que foi chamado. Só então ele deve se preocupar na forma que irá realizar seu
ministério. Igrejas precisam de lideres que têm convicção de seu chamado.
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